A casa tá cheia

A minha família cresceu. Em 2001 ganhamos (eu, meu irmão e os nossos pais) da vida maravilhosa (risos) um bóxer tigrado e eu, muito mandona, coloquei nele o nome Argos. Em 2002, outro presente: uma bóxer dourada chamada Anuska – sim, também escolhi o nome. Por muitos anos eles foram a alegria da casa – mesmo (e principalmente) se fizessem a maior confusão. Em maio do ano passado, em 2015, Argos morreu e deixou a nossa família com saudades.

Anuska ficou sozinha, mas, no início do ano, ganhamos mais três amores: Peppe, Bean e Luna. Eu nunca fui muito fã de gatos, até que meu namorado adotou uma que era tão fofa que derreteu o meu coração me fez querer gatos. Como moro em uma casa, aqui aparecem muitos gatos dos vizinhos e, inclusive, gatos recém-nascidos. Comecei a pedir aos meus pais que a gente adotasse algum gato, sendo filhote ou já crescido. Entre o ano novo e os primeiros dias do ano, duas gatas ficaram aqui em casa por alguns dias – uma estava sozinha em casa e só queria ficar aqui e outra fugiu quando iria ao veterinário. Depois elas voltaram para as suas casas e, de repente, um gato aparece! Peppe, nome que eu também dei, foi rejeitado e acabava dormindo no terraço da minha casa e, um dia, meus pais abriram a porta e ele decidiu ficar. Isso foi há um mês e meio. Dois dias depois, meus pais foram em um dos mercados públicos do Recife e trouxeram dois gatos com cerca de um mês. É comum abandonarem gatos lá e, por sinal, nesse dia tinham vários.

Anuska já posou como uma french girl para mim milhares de vezes, mas escolhi duas mais recentes porque agora ela está assim: sem conseguir andar, então fica sempre deitada em casa e, de vez em quando, fica um pouco no jardim.

Anuska

Anuska

Esse é Peppe. Dorme muito, come muito, não gosta de braço e leva susto com tudo. O veterinário disse que ele tem mais ou menos um ano. Aos poucos, tem ficado mais carinhoso.

Peppe

Bean e Luna no dia em que chegaram aqui, com pouco mais de um mês. Bean só queria tomar leite, chorar e dormir, enquanto Luna queria correr por toda a casa. Agora já estão bem agitados e acostumados com todo o movimento da casa.

Bean e Luna

Bean, que saiu quase piscando, adora subir em todos os cantos e dormir. Mesmo sendo mais comilão e dorminhoco, fica bem doido em algumas horas do dia.

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Luna, que ama qualquer pano que encontra pelo meio, gosta de ficar no colo e quer fazer amizade com Anuska a qualquer custo e eu não sei se vai dar certo.

Luna

Sim! Só para variar, também coloquei os nomes em Bean e Luna.

A volta dos que (não) foram

É, não deu muito certo. Achei que não duraria tanto, mas te abandonei por três meses. Não foi um abandono total, sabe? Estive sempre pensando em melhorias para você, mas sei que pareceu que eu não me importava. Pode ser que isso aconteça de novo, mas eu volto… uma hora ou outra. É suficiente? Não sei… sei que você merece coisa melhor, mas sempre existe esperança.

Falando em esperança…

Ano passado, dias antes do Natal, eu vi uma coisa boa. Duas, na verdade. Em pleno período em que a cidade fica um caos porque muita gente sai de casa para comprar comidas e presentes para a festa (esse é o clima!), estava eu no ônibus quando escuto alguém dizer:

“Não senta aí, amigo. É o lado do sol. Vai fritando até lá.”

Vi que era um senhor que tinha falado para um rapaz. O ônibus ainda tinha muitos lugares vagos, então o rapaz sentou do outro lado e agradeceu. Uma coisa tão simples, né? Quem quer sentar do lado que tem mais calor (e um futuro suor)? Sei que sorri e pensei como um simples gesto pode ser tão bonito.

Não sei se foi no mesmo dia ou não, mas também foi em outra viagem de ônibus e ainda no clima de Natal. Todo mundo preso no meio de um trânsito e, do nada, uma ambulância surge querendo passar. Algumas pessoas no ônibus começaram a ficar agoniadas e dava para escutar coisas como “meu Deus” e “será que não tem como abrir caminho?”. Tinha sim como abrir, mas seria preciso uma espécie de trabalho em equipe. Sei que os carros começaram a buzinar e, aos poucos, o caminho foi sendo aberto. É normal deixarem ambulância passar, mas ainda é uma coisa que me deixa emocionada. Muitas vezes ela passa tranquilamente, mas em outras… é uma confusão até que tudo dê certo.

É bonito ver isso. É bonito ver as pessoas, de alguma forma, atuando no mesmo bem. A esperança existe e é bonito ver quando ela age. 

Timidez e o crescimento

Sempre gostei de escrever e muito disso é graças à minha timidez. Por mais que eu falasse, era através das palavras que eu conseguia dar voz à tudo aquilo o que sentia. Não estou dizendo que escrevo bem, mas sim que é o momento em que consigo decifrar melhor o meu eu.

Como já comentei algumas vezes, meu desejo de ter um blog é bem antigo. É então que penso como eu estaria agora, caso tivesse criado um assim que o desejo surgiu. Claro que não posso ter afirmação alguma sobre isso, mas de uma coisa eu sei: o lugar em que estou e o que estou caminhando são melhores. Como sei disso? Bem… mudei. Se um mês (até menos, vai) é capaz de mudar alguém, imagina mais de cinco anos. Não só mudei, mais também melhorei.

É isso que gosto de pensar quando me lamento por não ter criado oportunidades, seja quais forem, antes. Tudo o que aconteceu comigo me trouxe até aqui e o lugar no qual me encontro é bom. Muito bom. São nesses momentos em que agradeço pela timidez ter me impedido de divulgar os tantos textos que imaginava ou até mesmo escrevia. Não é que eles fossem absurdos ou algo do tipo, mas faltava amadurecimento das ideias e, ainda bem, estou mais perto do que nunca. Ufa!

Que bom que a gente tem a oportunidade de mudar, não é? Que bom que a gente pode crescer.

Sobre indecisão e os pequenos passos

Não sei bem o estava pensando quando quis iniciar o curso de fotógrafo… sempre gostei da área, mas não sei se quis por hobby ou profissão, sabe? Na verdade, sei exatamente o que quero, mas o problema é o caminho que preciso/precisaria percorrer para chegar no tal objetivo. Por mim, tiraria fotos que contam quem sou. Por mim, viajaria e tiraria fotos de animais, comida, lugares, paisagens, pessoas que conheci, pessoas com quem cozinhei… deixaria em cada foto um pouco da minha felicidade, liberdade e percepção da vida.

Eu viveria disso, mas a questão é: dá para viver disso? Se eu fosse desapegada do material, não me importasse com calor, frio, onde vou dormir ou o que vou dormir… talvez, acho que desse sim. O problema é que não sou assim. Eu vejo várias Camilas diante dos meus olhos e eu quero quase todas elas, mas não sei como juntá-las. Sinto que essa junção está bem na minha frente, mas que preciso fazer algumas coisas que não sei bem o que são.

Essa sou eu: um poço de indecisão. Sei que a cada vez que o curso nos leva para fotografar em algum lugar diferente da cidade, eu me vejo mais distante da fotografia social (casamento, festa de 15 anos e por aí vai) e mais incerta sobre como percorrer o caminho que quero e, ainda assim, não passar por apertos financeiros. Quero poder contar histórias como “estava passando por acaso e vi isso” e não “fui contratada para isso”. Ai, esse meu jeito… é como a família diz: preciso me orientar. Sempre tive esse jeito mais “poético” de viver…

Como é difícil isso de “precisar” de dinheiro e, muitas vezes, escolher caminhos diferentes daqueles que queríamos para que possamos ter mais dinheiro. Aos poucos estou encontrando o meu caminho, mas os passos ainda estão a nível de bebê engatinhando. Vamos ver o que será do futuro.

E é isso o que digo: um texto que terminou completamente diferente daquilo que eu imaginava, mas que pareceu ser a minha necessidade do momento. É preciso ser forte para encontrar o próprio caminho, mas é preciso estar sempre em movimento – mesmo que seja engatinhando.

Olhe para cima! Existe sempre uma saída.

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Sobre a vida real, pessoas e sementes

Falei que me inscrevi em um curso de fotógrafo (descobri que existe uma diferença entre curso de fotografia e de fotógrafo) e que as aulas começariam em setembro. Pois bem, elas começaram. O curso é divido em três módulos e, no primeiro, estudamos sobre Ética e Trabalho. Sim, pode até parecer besteira, mas não é. Não mesmo. Foram cinco dias estudando sobre coisas que deveriam ser seguidas o tempo todo, mas que na realidade não é bem assim.

Em uma das aulas, assistimos ao Nascidos em bordeis. Com título original Born into brothels: Calcutta’s Red Light Kids, é um documentário norte-americano dirigido por Ross Kauffman e Zana Briski que estreou mundialmente em 2004. Tendo o distrito da Luz Vermelha, na Índia, como plano de fundo, retrata a vida das crianças que moram em tal região e de suas respectivas famílias – que vivem marginalizadas devido às suas escolhas e a fama do ambiente.

A fotógrafa Zana Briski, uma das diretoras do longa, sai de Nova Iorque para Calcutá. Em um cenário repleto de bebidas, drogas, falta de higiene, ignorância, pobreza, trabalho escravo e infantil… existem crianças que temem o seu futuro e desejam uma vida diferente daquela exercida por seus genitores – as mães são prostitutas e, na maioria das vezes, as avós e outras mulheres da família, além de que os pais, predominantemente, estão envolvidos no consumo e/ou venda de bebidas e drogas. É no meio de tudo isso que Zana ensina as crianças sobre fotografia… na esperança que suas vidas ganhem mais cores.

Bem, o decorrer da história é… não vou dar spoilers. Haha! Quem quiser saber como a história continua, é só procurar o vídeo. Indico demais. Na verdade não quero falar sobre o documentário, mas sim sobre o papel das pessoas na vida das outras.

Ao assistir o documentário, refleti o quanto a gente pode mudar a nossa vida e de qualquer um que a gente encontre. Acredito que todo mundo tem algo bom para oferecer, mas que cada um escolhe o que quer ofertar. Ninguém é de todo mal, mas são as ações que aproximam o ser do conceito de bondade ou maldade.

A vida é cheia de altos e baixos, alegrias e tristezas, certezas e dúvidas. Já não bastam as dificuldades que as pessoas enfrentam? Sim, então… entre na vida de alguém e ajude-o a ver mais beleza e felicidade. Ajude-o a ser. Se não simpatiza com alguém, tudo bem, mas não o prejudique. Nunca. Escolha deixar marcas positivas no mundo. Pessoas entram e saem das vidas dos outros, mas nem todas plantam uma semente. Nem todas esperam que ela germine e cresça. Seja esse alguém.

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É essa postura que precisamos ter. É cansativo e difícil, mas viver em paz de espírito deve ser… maravilhoso. Pois bem, que sejamos uma semente boa na vida dos outros e que ela traga belos frutos.